- Lecanemabe (Leqembi) chega às farmácias brasileiras em junho de 2026, aprovado pela ANVISA em dezembro de 2025
- Estudos mostram redução de 27% no declínio cognitivo após 18 meses de uso (New England Journal of Medicine)
- Custo mensal varia de R$ 8.108,94 a R$ 11.075,62 dependendo de impostos estaduais (CMED, 2026)
- Tratamento é indicado para estágios iniciais (comprometimento cognitivo leve) e exige monitoramento médico
Por que o lecanemabe representa um marco no tratamento do Alzheimer?
O tratamento da doença de Alzheimer está entrando em uma nova fase. Um medicamento inovador, o lecanemabe (comercializado como Leqembi), aprovado pela ANVISA em dezembro de 2025, tem chegada prevista ao Brasil para o final de junho de 2026 (Notícias R7, 2026). Diferente das terapias tradicionais, que focam apenas nos sintomas, essa nova abordagem busca retardar a progressão do declínio cognitivo ao atuar diretamente na causa biológica.
Como funciona o lecanemabe e por que ele é diferente?
O grande diferencial do tratamento está no seu mecanismo de ação. O lecanemabe é um anticorpo monoclonal que atua diretamente nas placas de beta-amiloide, proteínas tóxicas que se acumulam no cérebro e estão associadas à degeneração dos neurônios (Folha, 2026).
Segundo Tatiana Branco, diretora médica da Biogen no Brasil, o lecanemabe possui um duplo mecanismo de ação: remove a proteína beta-amiloide já acumulada e reduz a formação de novas placas tóxicas no cérebro (Biogen/Eisai, 2026).
Differentes de abordagens anteriores, o medicamento atua nas fases iniciais da doença. Segundo Rodrigo Nascimento, diretor médico da Eisai no Brasil (empresa parceira da Biogen), "o lecanemabe não tem como finalidade reverter o que já aconteceu do ponto de vista cognitivo", o que torna o diagnóstico precoce fundamental para maximizar os benefícios (Diário do Pará, 2026).
O medicamento foi testado em 1.795 pacientes ao longo de 18 meses em estudo multicêntrico publicado no New England Journal of Medicine, com resultados consistentes em América do Norte, Europa e Ásia (Bons Fluidos, 2026).
Quanto custa o tratamento e quem terá acesso?
Apesar do avanço científico, o custo ainda é um dos principais desafios. O valor mensal do tratamento pode variar entre aproximadamente R$ 8 mil e R$ 11 mil, dependendo de fatores como peso do paciente e impostos regionais (CMED, 2026).
Para um paciente com peso médio de 70kg, um mês de tratamento com aplicação a cada 15 dias custará R$ 8.108,94 desconsiderando taxas e impostos. Com alíquota de 18% (caso da maioria dos estados), o valor chega a R$ 11.075,62 (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, 2026).
As barreiras de acesso são significativas neste lançamento inicial:
- Ainda não há confirmação de cobertura por planos de saúde no Brasil
- O tratamento não foi incorporado ao SUS (Sistema Único de Saúde) até o momento
- O público-alvo inicial será majoritariamente pacientes de alta renda na rede privada
Especialistas como o neurologista Paulo Caramelli destacam que, embora o medicamento represente um avanço, a desigualdade no acesso à inovação em saúde é uma preocupação central. O custo total de um protocolo completo de 18 meses pode atingir cerca de R$ 199 mil por paciente (Diário do Pará, 2026).
Entenda os desafios de acesso à inovação em saúde
Para quem o lecanemabe é indicado?
O lecanemabe é indicado especificamente para pacientes com comprometimento cognitivo leve e demência leve associada ao Alzheimer. A indicação é clara: o benefício máximo ocorre quando o tratamento é iniciado precocemente, antes que o dano neuronal se torne extensivo e irreversível.
Estudos clínicos indicam que, ao longo de um ano e meio de uso contínuo, o lecanemabe pode reduzir em até 27% o declínio cognitivo e funcional em pacientes com Alzheimer em estágio inicial (New England Journal of Medicine, 2024).
Tatiana Branco, diretora da Biogen, enfatiza que os resultados do estudo observaram não apenas a redução de placas beta-amiloides, mas uma melhoria real na qualidade de vida: mais tempo de memória preservada, independência prolongada e dignidade para o paciente e sua família.
A indicação não se aplica a pacientes com demência moderada ou grave, o que reforça a importância de diagnósticos precoces por meio de biomarcadores e testes neuropsicológicos. O neurologista Sônia Brucki, professora da USP, alerta: "O diagnóstico precoce é fundamental para que o paciente colha os melhores benefícios que o medicamento pode proporcionar" (Febraz, 2025).
Como funciona a administração e o acompanhamento?
Por ser um anticorpo monoclonal, o lecanemabe exige acompanhamento médico rigoroso durante todo o tratamento. A administração é feita exclusivamente por via intravenosa, em unidades hospitalares ou centros de infusões especializados.
Protocolo de administração:
- Dose: 10 mg por quilo de peso do paciente
- Frequência: duas aplicações ao mês (a cada 15 dias)
- Local: centros de infusão ou unidades hospitalares
- Monitoramento: obrigatório durante e após a aplicação
O uso do medicamento exige acompanhamento médico e ocorre por meio de infusão intravenosa em ambiente controlado, com aplicações a cada duas semanas (Eisai/Biogen, 2026).
Possíveis efeitos colaterais incluem risco de edema cerebral (ARIA – Amyloid Related Imaging Abnormalities), o que torna obrigatória a realização de exames de imagem (RM) antes e durante o tratamento. O monitoramento inclui:
- Avaliação neurológica regular
- Exames de ressonância magnética de acompanhamento
- Monitoramento de sinais de confusão, cefaleia ou alterações cognitivas súbitas
- Acompanhamento multidisciplinar (neurologista, geriatra, psicólogo)
Conheça o protocolo completo de tratamento do Alzheimer
O que dizem os especialistas sobre o futuro do tratamento?
A chegada desse medicamento representa um marco importante na medicina brasileira. Pela primeira vez, um tratamento disponível no país atua diretamente na fisiopatologia do Alzheimer, e não apenas nos sintomas.
"O medicamento é inovador, usa uma tecnologia para o desenvolvimento durante décadas de estudo. É uma terapia nova. Quando juntamos os fatores — a inovação que ele traz, o quanto você precisa para o desenvolvimento dessas moléculas altamente complexas do ponto de vista de tecnologia e como os órgãos reguladores precificam — ele acaba tendo esse valor." — Rodrigo Nascimento, diretor médico da Eisai no Brasil (Folha, 2026)
A tendência apontada por especialistas como Paulo Caramelli é que surjam terapias mais potentes nos próximos anos, com perfis de segurança melhores e, possivelmente, custos mais acessíveis à população. O Brasil acompanha de perto outras terapias em desenvolvimento, como o donanemabe (Kisunla, da Eli Lilly), também aprovado pela ANVISA em 2025, com custo estimado acima de R$ 20 mil mensais (Febraz, 2025).
A Febraz (Federação Brasileira de Associações de Alzheimer) defende que o acesso ao tratamento não dependa da renda familiar, mas seja garantido como direito à saúde previsto na Constituição. Elaine Mateus, presidente da entidade, afirma: "Defendemos que o acesso ao tratamento não dependa da renda da família, mas é direito à saúde garantido pela Constituição" (Febraz, 2025).
Qual o impacto no sistema de saúde pública?
Atualmente, o lecanemabe não foi incorporado ao SUS. A discussão sobre incorporação depende de análises de custo-efetividade que ainda estão em curso. Especialistas apontam que, para que o medicamento seja incorporado, seria necessário:
- Demonstar redução de custos de longo prazo (menos internações, menor necessidade de cuidadores)
- Estabelecer critérios rigorosos de seleção de pacientes (biomarcadores, estágio da doença)
- Criar centros de referência no SUS para diagnóstico precoce e acompanhamento
Com mais de 57 milhões de pessoas afetadas pela doença de Alzheimer no mundo (UOL, 2026), e uma população que envelhece rapidamente, o Brasil enfrenta um desafio sem precedentes em saúde pública.
Veja os dados epidemiológicos do Alzheimer no Brasil
FAQ
O que é o lecanemabe e quando chega ao Brasil?
O lecanemabe (comercializado como Leqembi) é um anticorpo monoclonal inovador aprovado pela ANVISA em dezembro de 2025, com chegada prevista ao mercado brasileiro para o final de junho de 2026. O medicamento atua diretamente nas placas de beta-amiloide no cérebro, reduzindo em 27% o declínio cognitivo em estágios iniciais da doença de Alzheimer (Notícias R7, 2026).
Quanto custa o tratamento com lecanemabe?
Para um paciente de 70kg, um mês de tratamento custa R$ 8.108,94 sem impostos, podendo chegar a R$ 11.075,62 com alíquota de 18% de ICMS, dependendo do estado. O tratamento completo de 18 meses pode totalizar aproximadamente R$ 199 mil por paciente (CMED, 2026).
O lecanemabe é uma cura para o Alzheimer?
Não. O lecanemabe não é uma cura, mas uma ferramenta poderosa para retardar a progressão da doença. Segundo Rodrigo Nascimento, diretor médico da Eisai, "ele não tem como finalidade reverter o que já aconteceu do ponto de vista cognitivo", sendo indicado para fases iniciais (comprometimento cognitivo leve e demência leve) (Diário do Pará, 2026).
Quem pode usar o lecanemabe no Brasil?
O medicamento é indicado para pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve associada ao Alzheimer, que apresentem biomarcadores da doença e passem por testagem genética. O tratamento não é recomendado para casos moderados ou graves, e exige acompanhamento médico em centros de infusão (Bons Fluidos, 2026).
O lecanemabe será disponível pelo SUS?
Até o momento, o lecanemabe não foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda não há confirmação de cobertura por planos de saúde privados. O acesso inicial será restrito à rede privada, o que levanta discussões sobre desigualdade no acesso à inovação em saúde (Poder360, 2026).
A chegada do lecanemabe ao Brasil em junho de 2026 representa um marco histórico no combate ao Alzheimer. Pela primeira vez, um tratamento disponível no país atua diretamente na fisiopatologia da doença, com redução comprovada de 27% no declínio cognitivo.
Contudo, o alto custo — que pode chegar a R$ 199 mil por paciente em 18 meses — coloca o tratamento fora do alcance da maioria dos brasileiros. A incorporação ao SUS e a cobertura por planos de saúde ainda dependem de análises futuras de custo-efetividade.
O diagnóstico precoce é mais urgente do que nunca. Pacientes em fases iniciais da doença têm muito a ganhar com essa terapia, enquanto aqueles com demência avançada infelizmente não colherão os mesmos benefícios. A ciência avança, mas o desafio agora é garantir que essa inovação chegue a quem realmente precisa.